A Geometria e o Número na Arte Real

Autor: Marc Garcia
Tradução: Sérgio Koury Jerez

A Maçonaria encarna uma via iniciática por meio da qual ainda é possível, num Ocidente obscuro e enfermo, vincular-se efetivamente à Tradição Unânime e Primordial. Trata-se de uma Arte na qual foram purificados e endossados símbolos, ritos e mitos de ordem cosmogônica que reis, guerreiros e homens de ofício reconheceram, desde tempos imemoriais, como suportes para a realização metafísica.

O neófito iniciado nos mistérios da Arte Real recebe uma influência espiritual que opera sua regeneração psíquica, isto é, seu renascimento ou tomada de consciência de si mesmo como homem verdadeiro. Este despertar corresponde simbolicamente a um percurso de um ponto de uma circunferência até seu centro, e também a uma conta ao inverso, que parte do denário e termina na Unidade, princípio gerador da multiplicidade implícita na década. Acabada a viagem pelos pequenos mistérios, começa, sem solução de continuidade, o trânsito pelos mistérios maiores, a ascensão pelo eixo imóvel em torno ao qual gira a roda do porvir, ou raio que, atravessando o Sol, traça a via que devolve o ser ao seio do Não-Ser.Leia mais »

A Simbologia da Franco-Maçonaria

Autor: Francisco Ariza
Tradução: Sérgio Koury Jerez

Neste trabalho dedicado à simbologia universal, não poderiam faltar algumas reflexões sobre o importante simbolismo da Maçonaria, que representa, junto à tradição Hermética–Alquímica, a única via iniciática não religiosa que sobrevive ainda na Europa e sua área de influência cultural. E isto é assim embora, na atualidade, muitos maçons não conheçam – ou conheçam de forma muito limitada – o caráter simbólico e iniciático de sua Ordem. Alguns chegam inclusive a negar esse aspecto essencial da maçonaria, crendo que esta só persegue fins sociais e filantrópicos. Há outros, inclusive, que só vêm na riqueza simbólica da Maçonaria uma fonte inesgotável onde alimentar suas próprias fantasias “ocultistas”, tão em moda hoje em dia. Sem dúvida, esta suplantação dos verdadeiros fins da Maçonaria e, por conseguinte, a infiltração das “ideias” profanas, só podia acontecer numa época que, como a nossa, vive imersa na mais profunda obscuridade intelectual e espiritual.

Devemos esclarecer que aqui se vai falar da Maçonaria tradicional, ou seja, daquela que mantém vivos e permanentes, através dos símbolos, dos ritos e dos mitos, os laços com as realidades cosmogônicas e metafísicas emanadas da Grande Tradição Primordial, da qual a Maçonaria é (em verdade) uma ramificação. No nosso entender, e considerada desta maneira, a Maçonaria, igual a qualquer outra organização tradicional, oferece ao homem caído e ignorante os elementos necessários para levar a cabo sua própria regeneração e evolução espiritual. A estrutura simbólica e ritual da Maçonaria reconhece numerosas heranças procedentes das diversas tradições que foram se sucedendo no Ocidente durante, pelo menos, os últimos dois mil anos. E este feito, longe de aparecer como um mero sincretismo, revela nesta Tradição uma vitalidade e uma capacidade de síntese e de adaptação doutrinal que lhe valeu o nome de “arca tradicional dos símbolos”.Leia mais »

O simbolismo da morte no Rito Adonhiramita

Autor: Mário Sérgio dos S. Nascimento
Fonte: Revista Universo Maçônico

O fascínio e o terror causados pela morte são aspectos que se fazem presentes há bastante tempo na Civilização, chegando a se tornar fonte inspiradora para filosofia e diversas religiões. Para alguns, o tema morte é desconfortável, pois, deixa claro, a ideia de finitude humana, sendo objeto de estudo de diversas pesquisas. A atual visão sobre a morte foi definida através de herança cultural que as antigas gerações deixaram. Após a morte, os justos vão para o paraíso, buscando obter o conforto que não conseguiram em vida. A morte é inevitável, para algumas doutrinas morte e vida se relacionam de forma suave em outras a morte é temida, é uma punição, causando estranhamento do homem diante deste evento perturbador. Para o homem entender a morte ele a personifica, cria uma série de imagens artísticas que a simbolizam, como é percebido através da figura da caveira com uma foice.Leia mais »

A história revelada, por quem a vivenciou

Autor: Santiago Ansaldo de Aróstegui de Lerín y de Contreras
Fonte: Revista Universo Maçônico

Em primeiro lugar estou muito agradecido ao editor da Revista Universo Maçônico, que me ofereceu a oportunidade ímpar, para tornar público fatos por mim vivenciados durante os meus 17 anos de moradia neste maravilhoso país, chamado Brasil. Efetivamente, sou um arquivo vivo da historia maçônica das Ordens de Aperfeiçoamento Maçônico e sua chegada ao Brasil.

Durante estes 17 anos que aqui estou já escutei verdades, inverdades e versões interessadas. Muitas vezes pensei em escrever a verdade vivida, mas sempre pensei que algum dia apareceria. Agora mudei de opinião e estou confessando à Revista Universo Maçônico, a verdade vivida, pois diante de egos incríveis, méritos incertos, infundados e referências depreciativas à minha pessoa, vou expor para o conhecimento geral dos maçons brasileiros a realidade de alguns fatos desconhecidos para a maioria.Leia mais »

O Olho da Providência no Simbolismo Maçônico

Autor: Sérgio Koury Jerez
Fonte: Bibliot3ca

Diferentemente de alguns dos símbolos adotados na maçonaria, como o compasso, o esquadro e outros que notadamente são artefatos criados pelo homem e de uso corrente na maçonaria operativa, o Olho da Providência1 contido dentro de um triângulo é, em si mesmo, um símbolo de símbolos, que procura, de um modo peculiar, nos transmitir a ideia de onisciência do Grande Arquiteto do Universo.

Para entendê-lo – e nesse particular ele se comporta como os demais símbolos – é preciso que empreendamos uma longa viagem ao passado, embora saibamos que sua origem real estará sempre além, nos confins do tempo, da capacidade humana de documentar ideias.Leia mais »

Procura-se

Autor: Pedro Campos de Miranda
Fonte: O Ponto Dentro do Círculo

Procura-se um homem que luta para preservar e desenvolver os valores de seu templo interior. Esse homem é acusado de ser livre e de ter bons costumes, de gostar de aparar as arestas da imperfeição, de ser um incansável pesquisador da verdade. De procurar respeitar a humanidade, tolerando suas crenças diversas, mas sempre obstinado em palmilhar a senda espiritual que conduz à luz maior que é Deus, o Grande Arquiteto do Universo.

Esse homem é apontado como elemento que incomoda aos que não dão aos outros o direito de pensar e que não permitem a ninguém tentar encontrar explicações inteligentes sobre o início da vida do homem, sobre a criação e o funcionamento desse universo fantástico, sobre como os homens devem amar-se uns aos outros, independentemente de raças, de posições sociais, etc. Tal homem combate ininterruptamente o ódio que ainda hoje provoca matanças de irmãos criados pelo mesmo Pai.Leia mais »

A corda de 81 nós: uma visão operativa

Autores: Lincoln Gerytch, Sérgio Koury Jerez, Ulisses Pereira da Silva Massad
Fonte: Bibliot3ca

A arte da cordoaria e os nós

O uso de cordas, cordões, nós e laços pelo homem se confunde com a sua própria história. Fundamentais para a evolução da espécie e extremamente valiosos para o estabelecimento de sua supremacia sobre outros animais, o desenvolvimento destes recursos como parte do ferramental de sobrevivência humano só deve ser posterior, na escala tecnológica – se o for – ao emprego de pedras, paus e ossos pelas comunidades primitivas. Supõe-se – já que não há provas materiais disso – que mesmo o Homo habilis, que viveu entre 2,5 e 1,6 milhões de anos atrás, na África oriental, já fosse capaz de realizar atividades básicas de cordoaria e entrelaçamento de fibras.

Os primeiros materiais para confecção de cordas devem ter sido trepadeiras, cipós, peles de animais, cabelos, junco, cânhamo, tendões e tripas. Inicialmente, elas devem ter sido utilizadas para confeccionar abrigos, leitos em árvores e atar coisas a serem transportadas, e deve ter se passado um longo tempo até que os nossos ancestrais percebessem o seu valor no desenvolvimento de artefatos de caça, pesca, ataque e defesa.Leia mais »

A Estrela Flamígera

Autor: Kennyo Ismail
Fonte: No Esquadro

Infelizmente, até os mais respeitáveis escritores maçons deixaram com que suas formações cristãs influenciassem sobre este tema, pecando em sua interpretação. Nas instruções originais de Thomas Webb, amplamente divulgadas nas Grandes Lojas Americanas, a Estrela Flamígera é símbolo da estrela que guiou os sábios até o local de nascimento de Jesus. Por sorte, essa interpretação foi retirada quando da revisão das instruções, em 1843, na Convenção de Baltimore. Albert Pike, não satisfeito, praticamente copiou essa interpretação de Webb em seu famoso livro Moral & Dogma, em 1871. Importante ressaltar que são afirmações sem qualquer embasamento histórico.

Alguns autores brasileiros conseguiram ir mais além no mundo da imaginação. Na teoria desses, multiplicada por trabalhos apresentados nas Lojas, a Estrela Flamígera foi inventada por Pitágoras e nomeada por Agrippa, sendo usada pela primeira vez em um ritual de 1737 na França.

Essa teoria seria ótima, se não houvesse vários pentagramas de origem mesopotâmica, babilônica, egípcia, registrados em pedra e datados de, pelo menos, 3.000 a. C., ou seja, mais de dois milênios antes de Pitágoras nascer.Leia mais »

O Abrasivo que Afia o Cinzel

Autor: Charles Evaldo Boller
Fonte: O Ponto Dentro do Círculo

A gigantesca e verdadeira obra da Maçonaria é propiciar ao seu iniciado um lugar adequado para a modificação da personalidade, a moderação de paixões e desejos e o desenvolvimento de virtudes; numa escalada que inicia numa operação denominada: desbastar a pedra bruta.

Esta atividade consiste no trabalho, básico e rústico, de arrancar da pedra, arestas, deformidades e protuberâncias, de modo que ela possa vir a adaptar-se ao seu lugar reservado numa importante construção.Leia mais »