O Abrasivo que Afia o Cinzel

Autor: Charles Evaldo Boller
Fonte: O Ponto Dentro do Círculo

A gigantesca e verdadeira obra da Maçonaria é propiciar ao seu iniciado um lugar adequado para a modificação da personalidade, a moderação de paixões e desejos e o desenvolvimento de virtudes; numa escalada que inicia numa operação denominada: desbastar a pedra bruta.

Esta atividade consiste no trabalho, básico e rústico, de arrancar da pedra, arestas, deformidades e protuberâncias, de modo que ela possa vir a adaptar-se ao seu lugar reservado numa importante construção.Leia mais »

Em Busca de uma Tradição Inventada

Autor: Françoise Jean de Oliveira Souza
Fonte: História Viva

A história é continuamente reescrita. À medida que a realidade presente muda, as interpretações acerca de um fato passado também são alteradas, buscando respostas que correspondam melhor às necessidades do tempo atual. Foi assim com a Inconfidência Mineira (1789). Poucos momentos foram tão debatidos, reescritos e apropriados quanto esse.

Durante boa parte do século XIX, a Inconfidência não assumiu lugar de destaque na historiografia brasileira. Tal situação modificou-se apenas na segunda metade do século, quando o princípio da nacionalidade tornou-se uma questão premente a ser resolvida. Urgia ao Brasil a construção de laços de pertencimento capazes de criar um sentimento nacionalista, e era fundamental encontrar os elementos fundadores da nação, construindo uma identidade que pudesse particularizá-la. Com o golpe militar que inaugurou a República em 1889, essas necessidades foram reforçadas. O regime instaurado de cima para baixo estava longe de apresentar-se como uma demanda da população em geral. Assim, era preciso legitimá-lo perante o povo, apresentando-o não como um elemento estranho à sociedade, mas sim como um desejo histórico presente havia muito tempo.

A solução para essas questões passava pela criação de um mito fundador que estabelecesse uma ideia de continuidade entre o fato presente e o passado brasileiro. Era necessário criar uma tradição republicana para a nação por meio de heróis que já tivessem ansiado pela implantação desse regime. Nessa ocasião, a Inconfidência Mineira e Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, assumiram com propriedade o papel de precursores da República.Leia mais »

O silêncio, voz da Iniciação

Autor: Alain Pozarnik
Tradução: José Filardo
Fonte: Bibliot3ca

Embora apreciadores da beleza do silêncio, seja durante um passeio ao ar livre, andando na rua, trancados no interior de nosso veículo ou dentro de nossa casa, nós escutamos avidamente uma música gravada, um programa de televisão ou de rádio. Enquanto parte de nós sonha com a calma, paz e profundidade, paradoxalmente outra parte foge do silêncio e nos arrasta para o mundo do tumulto e barulho.

De um lado, somos fascinados pela grandeza potencial do silêncio, mas por outro, os sons dos nossos mecanismos de pensamento e emoções preenchem automaticamente o nosso espaço interior. Eles nos impedem de nos escutar, de nos ver, de nos aprofundar, de nos encontrar face a face conosco. Nós somos infiéis à condição de nossa humanização. Nossos pensamentos e emoções agitam-se perpetuamente. Uns nos ocupam ou nos preocupam; outros nos fazem vibrar. Ambos nos hipnotizam e nós procuramos ali, a perspectiva de uma solução para os nossos problemas, ou uma esperança de felicidade para nossa solidão. Estamos tão acostumados e identificados com suas produções ou suas autoproduções que acabamos por acreditar que nós somos os nossos pensamentos e nossas emoções e que, sem eles, nossa vida perderia sua intensidade ou simplesmente não mais existiríamos. Seus silêncios, o silêncio nos assustam. Quando não ouvimos mais a agitação barulhenta da presença de nossos pensamentos ou de nossas emoções, temos uma terrível sensação de vazio, de nada, de morte, e fornecemos o mais rapidamente possível aos nossos mecanismos emocionais e intelectuais todos os tipos de alimentos oferecidos pelo fast-food da vida. Para alimentar suas máquinas, e nos dar a impressão de existir, nós lhes oferecemos não importa qual alimento interno ou externo que eles engolem avidamente. Mas, ao fazer isso, tornamos superficiais estes ruídos ambientais. Eles habitam em nós, nos preenchem e nos ensurdecem. Nós nos tornamos incapazes de ouvir a vida além deles, aquela existente mais profundamente em nós.Leia mais »

Arte Royal

Autor: Nuno Raimundo
Fonte: A Partir Pedra

Era de noite…
e debaixo de uma acácia que me era conhecida
eu repousava.
Reparei que na abóbada celestial flamejava uma estrela,
e que por ser tão bela, certamente que, seria obra de um sapiente geômetra.
Que com a força do seu punho a cinzelou e no céu a estabeleceu…

É nestes momentos, de rara nostalgia, e vislumbrando a natureza que me rodeia,
que sinto que quase não sei ler nem escrever,
e que dificilmente conseguirei soletrar o quer que seja…
Ou não fossem as palavras que ficam, por vezes, por dizer,
serem tantas como as espigas dos nossos campos;
e que por isso, por vezes, me parece que a carne se me desprega dos ossos…

Depois, acordei e vi que a luz me inundava o quarto
e que tudo tinha sido um mero sonho.
Um sonho bom…


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A Maçonaria e o legado dos alquimistas

Autor: João Anatalino
Fonte: O Malhete

Uma palavra sobre a alquimia

Cabe aqui uma palavra sobre a alquimia. Simultaneamente arte, técnica e ciência do espírito, essa misteriosa ocupação tem desafiado a argúcia dos historiadores, provocado perplexidade nos cientistas e alimentado a imaginação dos amadores do insólito desde tempos imemoriais. Fonte inesgotável de tesouros literários, rendeu algumas obras-primas da literatura mundial, entre os quais o clássico de Rabelais, As Aventuras de Gargântua e Pantagruel. Segundo alguns autores, os romances do Graal são alegorias alquímicas que procuram transmitir aos adeptos da arte de Hermes o seu magistério. Inspirou também famosos contos de fadas, como O Gato de Botas, Ali Babá e os Quarenta Ladrões, O Pequeno Polegar, As Viagens de Guliver, etc… e algumas boas obras modernas como as estórias de Harry Potter, O Alquimista, de Paulo Coelho, os Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marques e outros. Segundo Pawels e Bergier, mais de cem mil livros foram dedicados a essa prática, o que no mínimo a eleva a fenômeno cultural dos mais significativos.1Leia mais »

O silêncio do maçom

Autor: Desconhecido
Tradução: Juarez de Oliveira Castro
Fonte: A∴ e R∴ L∴ S∴ Alferes Tiradentes, nº 20

Aquele que pretenda escutar e compreender a voz do silêncio tem que saber da perfeita atenção da mente em assuntos de índole interna.
– Provérbio Hindu

Meus Irmãos, nesta ocasião vos peço, respeitosamente que guardeis silêncio; assim achareis a correta disposição de entender os legados de uma virtude sem par.

Para que entendais corretamente o significado do silêncio para o maçom devemos acudir a sua definição profana, indicando que é a privação voluntária da faculdade de falar. E em verdade, quase todos sabemos falar, mas poucos sabemos calar. Por ele, saber calar a língua e os sentidos é uma virtude de Deus.Leia mais »