A Simbologia da Franco-Maçonaria

Autor: Francisco Ariza
Tradução: Sérgio Koury Jerez

Neste trabalho dedicado à simbologia universal, não poderiam faltar algumas reflexões sobre o importante simbolismo da Maçonaria, que representa, junto à tradição Hermética–Alquímica, a única via iniciática não religiosa que sobrevive ainda na Europa e sua área de influência cultural. E isto é assim embora, na atualidade, muitos maçons não conheçam – ou conheçam de forma muito limitada – o caráter simbólico e iniciático de sua Ordem. Alguns chegam inclusive a negar esse aspecto essencial da maçonaria, crendo que esta só persegue fins sociais e filantrópicos. Há outros, inclusive, que só vêm na riqueza simbólica da Maçonaria uma fonte inesgotável onde alimentar suas próprias fantasias “ocultistas”, tão em moda hoje em dia. Sem dúvida, esta suplantação dos verdadeiros fins da Maçonaria e, por conseguinte, a infiltração das “ideias” profanas, só podia acontecer numa época que, como a nossa, vive imersa na mais profunda obscuridade intelectual e espiritual.

Devemos esclarecer que aqui se vai falar da Maçonaria tradicional, ou seja, daquela que mantém vivos e permanentes, através dos símbolos, dos ritos e dos mitos, os laços com as realidades cosmogônicas e metafísicas emanadas da Grande Tradição Primordial, da qual a Maçonaria é (em verdade) uma ramificação. No nosso entender, e considerada desta maneira, a Maçonaria, igual a qualquer outra organização tradicional, oferece ao homem caído e ignorante os elementos necessários para levar a cabo sua própria regeneração e evolução espiritual. A estrutura simbólica e ritual da Maçonaria reconhece numerosas heranças procedentes das diversas tradições que foram se sucedendo no Ocidente durante, pelo menos, os últimos dois mil anos. E este feito, longe de aparecer como um mero sincretismo, revela nesta Tradição uma vitalidade e uma capacidade de síntese e de adaptação doutrinal que lhe valeu o nome de “arca tradicional dos símbolos”.Leia mais »

A Simbologia da Franco-Maçonaria (Parte III)

Autor: Francisco Ariza
Tradução: Sérgio Koury Jerez
Fonte: O Ponto Dentro do Círculo

A Loja, Imagem do Mundo

Em primeiro lugar, prestemos atenção ao sentido etimológico da palavra Loja: ela deriva de Logos, que é o Verbo ou Palavra, que emitida no mundo o resgata das trevas e do caos, criando assim a possibilidade da manifestação e da ordem universal. Igualmente, “Loja”, se não etimologicamente mas quanto a seu sentido simbólico, é idêntica à palavra sânscrita loka, que quer dizer “mundo”, “lugar” e, por extensão, “cosmos”. Por outro lado, também se dá uma identidade entre Loja, Logos e o grego lyke, que significa “luz”.

Aqui temos, em resumo, o que distingue a Loja maçônica: um espaço iluminado, mas iluminado interiormente graças à influência espiritual transmitida pela iniciação. Daí que a Loja se assemelhe à “caverna iniciática”, termo que se utiliza em diversas tradições para designar o que há de mais central e oculto no cosmos: seu próprio coração. Como a caverna iniciática, ou o athanor hermético, a Loja permanece protegida e a coberto do mundo profano e das “trevas exteriores”, que jamais penetrarão nela porque na realidade se encontra situada em outro plano. Explicando melhor: não se trata de um “lugar” no sentido literal, mas sim da consciência interna onde habita o mistério da alma humana. Evidentemente existe uma Loja concreta e física, que pode estar situada em qualquer rua de qualquer cidade de qualquer nação, e que pode mudar de localização tantas vezes quanto se queira. O importante é que o templo exterior simboliza com imagens mnemônicas e evocadoras nosso próprio espaço e tempo interior. Além das aparências deve penetrar-se no que estas velam e ocultam, pois do que se trata, realmente, é de conhecer o “Templo que não está feito por mãos de homem”, como dissemos anteriormente.Leia mais »

A Simbologia da Franco-Maçonaria (Parte II)

Autor: Francisco Ariza
Tradução: Sérgio Koury Jerez

Fonte: O Ponto Dentro do Círculo

Chegamos assim à primeira metade do século XVII, onde assistimos ao surgimento do movimento hermético-cristão ao qual se convencionou chamar de “iluminismo rosa-cruz”. Esse movimento, que concedia uma importância especial à invocação dos nomes divinos hebreus e cristãos, assim como às analogias e correspondências entre os três mundos ou planos da manifestação universal-corporal, anímico e espiritual – viria a ser decisivo para a gestação da Maçonaria especulativa. Os rosacrucianos, dentre os quais se encontravam autênticos homens de conhecimento do porte de Robert Fludd, Michel Maier e Juan Valentín Andreae (autor de As Bodas Químicas de Christian Rosenkreutz), eram, por assim dizer, o braço exterior e visível da enigmática “Ordem da Rosa-Cruz”, da qual tomaram o nome. Esta sociedade hermética era composta por doze membros (número primordial) que permaneceram sempre no mais completo anonimato, justificado pelas condições, cada mais vez mais adversas, provocadas pelo poder exercido de forma autoritária pela maior parte da nobreza e do dogmatismo inquisitorial. Esse “Colégio Invisível da Rosa-Cruz”, como igualmente se denominava, herdou, graças a organizações filo-templárias como a Fede Santa à qual pertenceu Dante, o essencial do simbolismo do Templo.Leia mais »

A Simbologia da Franco-Maçonaria (Parte I)

Autor: Francisco Ariza
Tradução: Sérgio Koury Jerez
Fonte: O Ponto Dentro do Círculo

Neste trabalho dedicado à simbologia universal, não poderiam faltar algumas reflexões sobre o importante simbolismo da Maçonaria, que representa, junto à tradição Hermética–Alquímica, a única via iniciática não religiosa que sobrevive ainda na Europa e sua área de influência cultural. E isto é assim embora, na atualidade, muitos maçons não conheçam – ou conheçam de forma muito limitada – o caráter simbólico e iniciático de sua Ordem. Alguns chegam inclusive a negar esse aspecto essencial da maçonaria, crendo que esta só persegue fins sociais e filantrópicos. Há outros, inclusive, que só vêm na riqueza simbólica da Maçonaria uma fonte inesgotável onde alimentar suas próprias fantasias “ocultistas”, tão em moda hoje em dia. Sem dúvida, esta suplantação dos verdadeiros fins da Maçonaria e, por conseguinte, a infiltração das “ideias” profanas, só podia acontecer numa época que, como a nossa, vive imersa na mais profunda obscuridade intelectual e espiritual.

Devemos esclarecer que aqui se vai falar da Maçonaria tradicional, ou seja, daquela que mantém vivos e permanentes, através dos símbolos, dos ritos e dos mitos, os laços com as realidades cosmogônicas e metafísicas emanadas da Grande Tradição Primordial, da qual a Maçonaria é (em verdade) uma ramificação. No nosso entender, e considerada desta maneira, a Maçonaria, igual a qualquer outra organização tradicional, oferece ao homem caído e ignorante os elementos necessários para levar a cabo sua própria regeneração e evolução espiritual. A estrutura simbólica e ritual da Maçonaria reconhece numerosas heranças procedentes das diversas tradições que foram se sucedendo no Ocidente durante, pelo menos, os últimos dois mil anos. E este feito, longe de aparecer como um mero sincretismo, revela nesta Tradição uma vitalidade e uma capacidade de síntese e de adaptação doutrinal que lhe valeu o nome de “arca tradicional dos símbolos”.Leia mais »